
Anestesia. A alma paralisada pela falta de argumentos.
Alexandre C. Martins – 12 de novembro de 2009
No caminho as curvas sumiram e a retilínea rotina abraçou a solidão. O fato foi que não houve resistência, apenas uma entrega simples e cadente. Outrora teria ele raciocinado um pouco, ou mesmo parado por cinco minutos para sacudir os sapatos em busca da pedra incômoda - Removê-la não seria tão difícil. Nada como uma boa sacudida pra resolver o problema. Continuou o caminho sem acentos, uma escrita leve e despreocupada, cometendo erros e mais erros sem nem mesmo perceber – quase sempre. E assim o foi por um longo período.
De fato, mesmo nesta reta algumas intempéries modificam o entorno. Numa destas o rapaz teve medo. Um medo contido, tímido, camuflado por sorriso forçado, infundado. Enfim, um começo. Não foi chuva o que viu. Nem um céu nublado, nem um sol radiante. Apenas um nascer solar típico, mas encarado com outros olhos. Deixou-se levar pela música das cores, sentindo uma aceleração incomum no peito. Pensou em doença logo de cara. De joelhos desejou que aquilo parasse e tudo voltasse a inércia anterior, ao silêncio. Ali no chão viu a terra molhar-se, sem uma gota de chuva, sem nada. Procurou até dar-se conta de que dele brotava uma água estranha, doce, não salgada. Os olhos embaçados procuraram distinguir algo na paisagem estranha e nada aconteceu por um longo tempo.
Viu a terra secar. Viu o sol chegar ao topo. De pernas bambas apertou o passo, mas logo se deu conta – havia outros caminhos, outras estradas, outras terras. O medo foi total. Uma força o chamava para trás, enquanto outras tantas o empurrando para frente, cada qual para um lado. Novamente chorou.
Não demorou a pegar-se avaliando cada caminho intimamente. O chão batido, a grama verdejante, a calçada de pedras estranhas, s árvores, as cercas e as planícies distantes. Tudo parecia ter um significado misterioso e apetitoso. Tomou fôlego, escolheu uma das trilhas e caminhou.
Na inércia vive a depressão. Na inércia faz morada a cadência da alma. Mover-se e refletir a cada passo torna viva a coisa chamada Ser Humano.
Alexandre C. Martins - 09 de julho de 2009
MSN
Brilha a tela, azul, amarelada
Apita o hino da chamada
Corre, a palavra pede entrada!
Alexandre C. Martins – 31 de julho de 2009
Búh!
Luz acesa de surpresa
Pula a cadeira de encontro à mesa
Palpitante sensação de irrealidade
O pano entre mundos cai, quase pela metade
Alexandre C. Martins – 09 de julho de 2009
Morre uma Rosa
Pétalas perfumadas, dilaceradas
No chão o crime se alastra
Vermelho e despedaçado
Banho de sangue aveludado
Alexandre Cesar Martins – 04 de abril de 2009
(...)
Nas lágrimas o sofrer
Em mente o saber
Sabe a alma que sofre
E chora!
Alexandre Cesar Martins - 03 de abril de 2009