Conto Premiado

"45 Minutos"
- TERCEIRO LUGAR, CATEGORIA CONTO - CONCURSO DELICATTA III - Leia o texto.

Novidades

Acabo de fazer uma reforma no layout do blog. Agora os frequentadores poderão deixar recados no Mural de Recados, ou enviar mensagens privadas para meu e-mail diretamente do site. Tudo isso na barra lateral. Espero que gostem!

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Encenação


Não há palavras suficientes no momento
Cerco-me de agradáveis lembranças
Tentando distorcer os fatos, calado

Fujo da realidade inevitável, incansável
Buscando abrigo em campo sem mata
Protegendo-me com amuletos ineficazes

Diblo a desilusão com ares zombateiros
Sorrisos forçados, mascarados, desfigurados
Contorcidos entre ferros distorcidos, atravancados

A dor já não basta, continua a fúria
A encenar em palco mentalizado
A obra prima da falsidade - alheia.

Alexandre Cesar Martins – 08 de abril de 2008

Amor Geminiano

Se me quer seja tranquilo
Quem conhece o mundo sem explorá-lo?

Cavernas, rios e mares. Confins enfim.
Diante dos teus olhos me dispo
Corpo e alma declaram-se abertamente
Conseguirá você enxergar além dos vidros de teu olhar?

Se me quer seja sincero, singelo.
Desperte o desejo, sem acanhamentos.

Nuvens, sol e estrelas. Paradoxos incompletos.
Contraditório, surtos góticos mascarados por sorrisos acanhados
Idéias e sentimentos, vitimas de um mesmo signo
Conseguirá você decifrar os gestos clementes por entendimento?

Se me quer seja tranquilo
Quem conhece o mundo sem explorá-lo?

Olhe as nuvens refletidas nos rios
Mesmo distorcidas, são reais
Imagens de um mesmo ser
Aspectos de uma alma em desenvolvimento.

Será você capaz de me amar?
Jogar-se no mar turbulento de meu coração?

Alexandre Cesar Martins – 07 de abril de 2009

Luto


Paredes etéreas se ergueram
A lua consolidou o entardecer de outono
Brisa leve, sem consolos

Um olhar avermelhado entoou o canto fúnebre
Do silêncio lacrimejado, temido, confrontado
Notícia de conteúdo não conformado

Um adeus sem palavras verbalizadas
Mentes interligadas, almas separadas
Na memória os momentos arquivados

Foi-se o sol mergulhar em águas profundas
Entre prantos e encantos, ficou a marca tatuada
No coração de quem agora chora pela alma retornada

Alexandre Cesar Martins – 06 de abril de 2009

Lord


Fumaça espalha-se mentolada
Idéias surgem do nada, ficam, fazem morada
Sol e lua, a estrada, guia além do superficial
Sorriso que se espalha, agrada, nunca imoral

O divã abre os braços, escuda, indaga
Noites em parceria, quase sempre, nunca basta
Círculo de amizade, magnético, imã para com ferro
Enigmas indecifráveis, mapas sem coordenadas

Fumaça espalha-se mentolada
Palavras proferem um saber
Outras tantas geram risadas
Companhia diária, noturna...

... Eterna

Uma amizade, que jamais acaba.
Cresce, supera, constrói
Não muros, não muralhas
Apenas a necessidade...

... necessidade de vê-lo cada dia mais.

Alexandre Cesar Martins – 05 de abril de 2009
Dedicado ao meu grande amigo de todas as horas – “Lord”

Amor Sepultado


Dores sepultadas, lápides insinceros
Corredores cheios de cores e venenos
Do suor ao encontro magnânimo
Canoa brinca com a água rítmica

Capuzes negros, metamórficos
Luzes escondidas, vergonha iluminada
O caminho se faz, corre e engloba
Os jardins perdem-se em lava

Minutos, segundos, centésimos
Sentido macabro, mesmo infundado
Vai e vem, sobe e desce
Montanhas flamejantes, odores sufocantes

Travesseiro encharcado, desencantado
Cobertas e descobertas inevitáveis
Corpo e alma, selados, lacrados
No paraíso delirante de teus braços

Amor sem noção, sonho, conclusão
Mausoléu reconstruído, trancado
Nada mais além da saudade
A brincar com a foice mortal

Cinco minutos, nada mais.

Alexandre Cesar Martins - 03 de abril de 2009

Evocações



Defuma Amanda, os cantos e o centro
Passeia pelo terrero, não tarda a festa
Alimenta o ambiente, consagra o divino

Rodopia minha gente, inocente e coerente
Chama logo o caboclo, o Exu e a Pomba-gira
Bebe e fuma, mata a vontade eminente

O atabaque marca a passada, longa noite de dança
No tremor e cambaleio a morena entorta o rosto
Franze a testa, recebe o moço, despacha a moça

Assistência bate palmas, bebe da fonte iluminada
Beija, abraça, leva o soco forte, o coração dispara
Não há nada além da sabedoria vinda doutro lado

E quando por fim chegar a lua grande, dorme o santo cansado
A saia para a roda, o vestido volta ao armário
E no além se vão os tambores, apagam-se as luzes

É fim de mais uma jornada.

Alexandre Cesar Martins – 01 de abril de 2009