Conto Premiado

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- TERCEIRO LUGAR, CATEGORIA CONTO - CONCURSO DELICATTA III - Leia o texto.

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Desabafo


Hoje aquele desespero tão conhecido voltou a assombrar. Dei-me conta de que os fatos precisavam ser explorados com mais afinco – não havia mais como dar de ombros, em certos momentos a realidade fala alto e cala o sonho com voz ensurdecedora. Vi-me diante do dilema do ficar, deixar estar ou abandonar o barco do amor – coisa complicada. É fantástico como quando se está amando pensa-se ser possível tudo superar, tudo perdoar, tudo calar quando falar já não basta – doce engano.

Não sei o que sinto nesse momento, não que duvide do amor que minha alma abriga, mas sim do que quero ou não, do que tenho e do que preciso. Nessas horas uma palavra de carinho, um toque de compaixão seriam bem vindos – mas estes não virão. Olho ao meu redor e tudo parece manchado de um vermelho lacrimejado por olhos ardentes. Mesmo a cerveja em meu copo perdeu o sabor, o cigarro fica pela metade queimando solitário – tão solitário quanto me sinto agora.

Ainda que possa passar por tudo isso com simples modficações de pensamento, não acredito que seja o mais sensato. Prefiro, por hora, enfrentar a imposição dos fatos e apelar por uma mudança de comportamento. Prefiro crer que além do que sinto há o que é sentido por mim, mesmo que pouco divulgado. Retratos não apreciados de momentos tão significativos ganham vida na tela que se pinta diante de meus olhos.

Essa mágoa faz valer o que o sinto, me mostra o quanto estou envolvido, ainda que faça ela, soberba, o papel de vilã. Nessas horas seria perfeito saber o que fazer com este querer todo, com essa saudade acumulada, com esses desejos retraídos – a resposta não se faz clara.

Vou seguindo a passos lentos na medida do que me é possível. Seja qual for o resultado, estou resoluto a cerca do que não quero e pretendo, acima de qualquer coisa, me poupar de sofrimentos, mesmo que isso signifique um sofrer contido do qual não poderei escapar. Não há decisões, não há pedidos. Calo-me diante de tudo e aguardo, temeroso, acuado, por uma mudança significativa no que diz respeito a amar e ser amado.


Alexandre C. Martins – 22 de agosto de 2010

Um comentário:

Leonardo disse...

Muito bom! Parabéns!
Esse pra mim foi o melhor!
As vezes ficamos tão sufocados com as situações que somos obrigados a nos expressar de alguma forma!