
A noite se estende rasteira
Alegórica em sua carruagem cintilante
Camuflada entre máscaras e reclames
Travestida de pureza feminina
(Sorrateira )
A noite se estende rasteira
Desintegrando-se entre olhares atentos
Duas estrelas refletem filosofias
Outras tantas apenas o alento
A música não para, o microfone não cala
Não dorme no ponto, não perde a vaga
No compasso pés famintos sapateiam
A noite se estende, até esbarra
(Corpos vestidos de nudez)
A mesa de plástico balanceia
De um lado para o outro no salão
Um homem de seios gagueja
Silêncio do saguão
(O néctar do povo, a inteligência ameaçada)
A noite se estende rasteira
A estrada longa é convidaditiva
As luzes criam ilusões
Irrealidades são vendidas em garrafas metalizadas
No lar a segurança e dois cérebros a pensar
Na revolta a decisão objetiva
O sol ainda dá espaço a lua
O travesseiro grita em desespero
(pedido aceito, dizem os cabelos)
A noite se estende
Rasteira
Sorrateira
Silenciosa.
Alexandre Cesar Martins – 30 de março de 2009