
Onde com voracidade a terra engole
prantos e reclames escondidos sob o luar
(sorriso sem dentes. Brilho sem o brilhar)
Sonho denso, quase imortal
De um homem sem leis ou fronteiras
Apenas acumulado por dores alheias
(insignificante é esta cadência)
Purificado é o ar, mesmo ainda cinzento
Engloba o denso e voraz amargor
Transforma, recria, intensifica
(nunca chove sem molhar)
Olhos fechados vêem muito além
Fronteiras e cercas diluidas na escuridão
Espaço vazio e completo – Tão cheio de si
Fechados voam onde as asas não podem chegar
Também aterrizam – em terras escolhidas
Guiam na mata ou no cimento das cidades
Correm entre carros e manadas ferozes
(não há medo na certeza)
Nas montanhas do além mar
Dorme ainda o homem
Por alguns segundos deixando a alma sonhar
(livre, livre para voar)
Alexandre Cesar Martins – 11 de outubro de 2008