Há tempos não juntava as mãos para rezar. Deus sabe quanto tempo – Ironico eu bem o sei. Mas é a verdade, pura e dura realidade. Estava chegando em casa, nada fora do normal, nada fora do controle. Elevador, sétimo andar e lá vou eu pra casa. Chego, abro a porta do bendito e lá se vai minha paz. Encarando-me pelo vidro o homem desconehcido. Olhar inerte, expressão alguma que pudesse eu identificar – um sorriso teria ajudado, mas preferiu aquela alma nem a tristeza demonstrar. Fiquei pálido, gélido, tentando olhar para trás – sem conseguir.
Fechei os olhos, rezei, mas não por mim, por ele. Essa não foi a primeira vez, tão pouco será a última. O que me intriga é por que eu? Por que naquele momento? Resolvi dar de ombros e finalmente chegar em casa.
Foi-se o tempo em que me deixava amedontar. Ainda lembro daquela mulher sentada em cima de mim quando num susto acordei. Ela me encarava, fria, sem rosto. Uma mulher sem identidade, mas carregada de uma tristeza profunda e agoniante – chorei por dias. Toda noite vinha ela ao meu encontro. Não havia palavras entre nós – não havia necessidade. Ela me mostrava os sentimentos mais profundos que já ousei me permitir sentir. Um belo dia cansei e a mandei embora, ainda insistiu, mas foi-se. E cá estou novamente relembrando a companhia assustadora, mas que já estava me viciando.
Quem pode entender algo assim? Não eu. Não naquela época maluca. E aquela mulher não foi a única. Hoje creio que estou aberto a isso. O engraçado? Raramente vejo ou sinto algo. Vai-se entender. Mas quem pode explicar tal coisa? Se podes, me diga.
Essa não foi a pior. Ela até se tornou uma amiga por assim dizer. Sou louco as vezes, ou quase sempre. A mais assustadora experiência se deu numa noite, na verdade, minha primeira noite em meu novo apartamento. Aquelas crianças choravam demais. As procurei em cada cômodo sem nada encontrar. Mas de fato elas choravam agoniadas. Pensei ser alguém em algum apartamente vizinho – doce ilusão. Na segunda noite tudo se esclareceu. Lá vieram os dois chorões e com eles chorei. Acho que assim abri o elo necessário. Compartilhei suas dores, e não eram poucas. Nunca me senti tão mal em toda minha vida. Isso se estendeu por longos dias, que acabaram virando semanas. A parte mais difícil foi quando de fato as vi pela primeira vez. Cabelos emaranhados, olhos inchados, cheio de um rancor absurdo. Não podia com isso sozinho. Tremi feito criança amedrontada – ironia novamente. Fui até os dois, dois meninos, e sentei-me frente à ambos. Fechei os olhos e rezei por eles. Não sou religioso, mas o que mais eu poderia fazer nessa hora. Eles gritaram e sumiram. Os deixei no primeiro centro espírita que vi pela frente. Devem estar bem agora.
Isso tudo me fez ver o mundo com outros olhos. Não sei porque eu, ou poruqe nessa hora. Parei de me perguntar estas coisas e resolvi encarar os fatos de braços abertos. Engraçado como tudo se foi sem nada eu fazer. De cara estou bem, mas esse novo homem que me veio me intriga. Espero que ele apareça novamente? Sinceramente não sei – ele quem se decida, aprei de tentar entender os espíritos.
Alexandre C. Martins – 26 de agosto de 2010



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